como tu pai
nunca pensei ser
como naqueles momentos de absoluta incompreensão
pela força abusada
pelas lágrimas injustificadas
uma profunda amargura
mas a doçura dos lábios
força vital e nómada
forca moral incómoda
como ser como nunca pensei
para além de uma vida
prolongar-se
estender-se
demorar-se noutro corpo
o meu corpo
como tu igual ao desenho do olhar
no balcão de um refresco
as mesas do teu jogo
reflectidas nas camas do meu
com as mãos na minha testa
a apaziguar febres
a adormecer sonhos
a abrir pernas
nunca pensei saber fazer
desta maneira que afinal preparei
demorei
prolonguei
estendi
pelas mãos
até ti
quarta-feira, 21 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
solo
Era por causa do solo
era pelo tapete
a deslizar sob os pés sempre em movimento
levitar
era por causa da terra
corpo cru de braços longos
era por causa do sol
na pele macerada pelo tempo
era por causa de ti
Foi por mim que segui a solo
foi no rés-do-chão que cresci a voar
no terrário das aranhas e dos bichos de conta
foi no meu colo que me ergui
a solo
É do chão que levanto a pedra azul rectangular
para levá-la ao sétimo selo
Será como uma formiga trompetista
a janela aberta para dentro
corpo cheio de leite de arroz para adocicar a falta de ar
na pele de um animal negro
mamífero nocturno e prenho no feminino
Cordas de graves sonoridade no agudo do trompete
engano sobre engano a trair
atrair
o solo
de uma vez por todas
era pelo tapete
a deslizar sob os pés sempre em movimento
levitar
era por causa da terra
corpo cru de braços longos
era por causa do sol
na pele macerada pelo tempo
era por causa de ti
Foi por mim que segui a solo
foi no rés-do-chão que cresci a voar
no terrário das aranhas e dos bichos de conta
foi no meu colo que me ergui
a solo
É do chão que levanto a pedra azul rectangular
para levá-la ao sétimo selo
Será como uma formiga trompetista
a janela aberta para dentro
corpo cheio de leite de arroz para adocicar a falta de ar
na pele de um animal negro
mamífero nocturno e prenho no feminino
Cordas de graves sonoridade no agudo do trompete
engano sobre engano a trair
atrair
o solo
de uma vez por todas
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Uma estação inteira sem amor
O comboio parou numa estação
inteira sem amor
um homem saiu
do comboio sem ninguém
passou um tempo
algum
passou tanto tempo sem amor
um homem sem ninguém
uma estação inteira
meu amor
um grito de máquina
bruma de vapor
mala de pele intocada
nas luzes da estação inteira
sem cor
esse mesmo homem sem
ser homem sem
ser inteiro numa estação
sem ser homem
sem amor
sem homem ser
nessa estação
meu amor
até que um apito fisiológico
som sem dor
estridente nos olhos já sem cor
despertou a ausência
da presença inteira
sem sentidos e sem clamor
na desistência incerta do amor
numa estação deserta
de corpos abertos
ao amor
inteira sem amor
um homem saiu
do comboio sem ninguém
passou um tempo
algum
passou tanto tempo sem amor
um homem sem ninguém
uma estação inteira
meu amor
um grito de máquina
bruma de vapor
mala de pele intocada
nas luzes da estação inteira
sem cor
esse mesmo homem sem
ser homem sem
ser inteiro numa estação
sem ser homem
sem amor
sem homem ser
nessa estação
meu amor
até que um apito fisiológico
som sem dor
estridente nos olhos já sem cor
despertou a ausência
da presença inteira
sem sentidos e sem clamor
na desistência incerta do amor
numa estação deserta
de corpos abertos
ao amor
terça-feira, 20 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
há vinte anos
«Foi há vinte anos»
Podia começar uma multiplicidade de frases com esta expressão:
– Há vinte anos tinha já carta de condução.
Não significa absolutamente nada;
nem pretendo dizer nada.
Foi há vinte anos que uma namorada me disse:
– Os homens deveriam todos masturbar-se pela manhã, como um acto de higiene, para não se perderem em olhares lascivos atirados a todas as mulheres, quase indistintamente – ela não era indistinta.
Há vinte anos não tinha ainda sido incorporado no serviço militar obrigatório;
isso veio depois e fiquei na fortaleza de Cascais, que dava sobre o mar;
hoje dá sobre a Marina e o quartel está desafectado do Exército – costuma ser utilizado para os desfiles da Moda Lisboa (que, aliás também já acabou em Cascais).
Há vinte anos não tinha filhos nem sonhava ter.
Há vinte anos não te tinha a ti.
Há vinte anos não escreveria assim, aqui – seja lá o que isto for.
há vinte anos...
Podia começar uma multiplicidade de frases com esta expressão:
– Há vinte anos tinha já carta de condução.
Não significa absolutamente nada;
nem pretendo dizer nada.
Foi há vinte anos que uma namorada me disse:
– Os homens deveriam todos masturbar-se pela manhã, como um acto de higiene, para não se perderem em olhares lascivos atirados a todas as mulheres, quase indistintamente – ela não era indistinta.
Há vinte anos não tinha ainda sido incorporado no serviço militar obrigatório;
isso veio depois e fiquei na fortaleza de Cascais, que dava sobre o mar;
hoje dá sobre a Marina e o quartel está desafectado do Exército – costuma ser utilizado para os desfiles da Moda Lisboa (que, aliás também já acabou em Cascais).
Há vinte anos não tinha filhos nem sonhava ter.
Há vinte anos não te tinha a ti.
Há vinte anos não escreveria assim, aqui – seja lá o que isto for.
há vinte anos...
quarta-feira, 1 de julho de 2009
corações que tremem 2
tremem decididamente
à hora do jantar
no verão
no outono
todos os dias
como um abecedário colorido
mas sem textos
nunca tinha visto nada assim
tremem como uma cobra
por ser Dia Mundial do Coração que Treme?
ou o contrário:
Estremecimento Mundial do Coração um Dia!
à hora do jantar
no verão
no outono
todos os dias
como um abecedário colorido
mas sem textos
nunca tinha visto nada assim
tremem como uma cobra
por ser Dia Mundial do Coração que Treme?
ou o contrário:
Estremecimento Mundial do Coração um Dia!
corações que tremem 1
Os medos cordiformes têm cauda de lagartixa que cresce e cresce ininterruptamente só necessitando para isso de serem podados
Deixai secar os medos cordiformes e vêde-os florescer com forma e sem receio
Deixai secar os medos cordiformes e vêde-os florescer com forma e sem receio
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
à hora do jantar
ficámos presos. nós e o universo à nossa volta. quero dizer: a cozinha, a sala, os quartos, um deles com casa de banho, o terraço e ainda a garagem, já que a parcela do sótão nunca chegou a ser dividida – fraccionada entre os codóminos. ficámos ali, ela e eu; como duas tristes feras, selvagens em redoma, sem saberem mas por quererem. por tê-lo desejado, dentro da boca dele estávamos. e a boca dele, tão pequena, mimosa, redonda e encarnada, não era maior que um terço de palma da mão dela. mas ali cabíamos, ela e eu. ali cabíamos nós. era esse todo o nosso universo.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
verão o outono
hoje nasceram-me mais cabelos brancos
do lado do coração
junto às fontes
do lado dos sentimentos
trilhaste-os com a mão
do lado do coração
junto às fontes
do lado dos sentimentos
trilhaste-os com a mão
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
todos os dias
olho para a parede
e tu estás lá
pendurada
estás numa moldura
pintada
estás lá pintada
mas não és tu a retratada
ou pelo menos pretendes não ser não seres tu a apresentada
Olga
vejo-te na parede do meu quarto agora
já não apenas na sala
a cores
pastel e rosa
verde-água e rosa
janela aberta para os teus olhos
olho-te
e tu estás lá
pendurada
estás numa moldura
pintada
estás lá pintada
mas não és tu a retratada
ou pelo menos pretendes não ser não seres tu a apresentada
Olga
vejo-te na parede do meu quarto agora
já não apenas na sala
a cores
pastel e rosa
verde-água e rosa
janela aberta para os teus olhos
olho-te
terça-feira, 9 de setembro de 2008
abecedário colorido
Amor
Amar é animal e é normal mas não banal. Pode obviamente ser anal mas deixa de ser da alma para ser carnal. Que tal se tal apenas adquirir a formal e natural forma mamal de amar amando. Por sinal amar bem pode soar a boca.
Boca
Beber a boca deve ser bem bom. Balbuciriam bem umas quantas bocas sedentas de beber uma baba de boa boca alheia de sabor a bem bom. Bom. Bem o beijo das bocas bebe-se como se bebem as boas bocas brancas de frio ou brancas de neve. Bocas de beber com sabor a coxa.
Coxa
Com que recortes do corpo se conseguem comparar as coxas? Como se conseguem focar cem coxas a rodopiar nos olhos com a crença de conseguir captá-las para as conservar com conteúdo e com tudo, contudo com cabelinhos e com curvas bem roliças com carícias comprometidas. Consegue-se. Com sexo e desejo.
Desejo
De dar duas dedadas de dedos desejados desde há muito. Desejo de dar e seduzir para depois de dar ainda desejar possuir e de ter antes de dar e de dar depois de ter. Desejar dentes e dedos e dorso e delicados desejos segredados dentro de dias e de noites dentro de eros.
Eros
Era o deus do amor. E de deus do amor deixou o desejo em eros de errar de ser em ser, de em em em e sem deixar de ser eros errando se é bem essa a certa maneira de ser eros errando mas sem errar e sem ser amor indesejado na forma.
Forma
Força a forma a ser formal consigo mesma por força da farsa feita fugazmente de forma fática fazendo fé de formar e não deformar. Forma fatídica e não fodítica que faz força e fugazmente força a sua forma a fugir à força que deforma. Mas quanta força faz com que a forma se deforme por força da deformação que a força impõe à forma? Faz de conta que forma se forma a gosto.
Gosto
Gasto o gosto de gostar só por gosto gustativo. Fica agora o gesto gesticulante gesto emergente de grandioso e galante gestação do grande gosto da ilusão. Grande garganta e grande gaita galante gesto de gigante gesto. É uma questão de horta.
Horto
Hora de horto de incêndio. Hirta e ardente hoje e doravante por haver. Há sim haveres que são afazeres. Há sim deveres à hora da incendiar o horto. E há a íris.
Íris
Imitando o olho a íris ri. Sim ri. Assim a íris ri de si e de mim. Ri assim por saber rir de si e para si. É assim tão tão em si que só de si e para si sabe assim rir de mim. De tanto rir faz jorrar.
Jorrar
Já. Já e hoje com queijo sobre os joelhos. Jorrar queijo de desejo é já mais que jamais seja jurado por um solfejo e julgado por um simples beijo. Já por detrás da capa.
Kapa
Não sei se Kierkegaard ou Kant seriam sexy de kilt para uma mulher sem língua, no mínimo kitsch.
Língua
Ler lentamente o leite da língua. Ler o leite lentamente latente reluzente e luzidio. Ler a língua a lamber o líquido lilás de um olhar. A língua de lã é calor de fel. A língua de licor é lambida lentamente pela mão.
Mão
Mais do que com a mão é mesmo a mão que mente mais do que menos mesmo se se mete mais ou menos na melhor mama. Menos do mesmo e mais ou mesmo se a mão mimar mesmo o mel de mãoziar a mesma nudez.
Nudez
Nada de nus. Tudo nem vestido nem despido nem nada. Nada de nada e data de nata ou nada de nata e data de nada não diz ser amada nem nada mas nega a ninhada inata no hino e no imo do nó. Que também é conhecido por olho.
Olho
Olhar o olho nos olhos e olhá-lo ostensivamente no branco do olho até que o olho se feche de olhar. Olha que não olho se não olhar mais ou melhor do que olhar o outro olho de cor. Ocre de cor e odor a amor é o olhar de sonhar com amor de bocejar. De tanto estar de pé.
Pé
Pé e polegar para quem percebe são poucos mas pertinente pós de perlimpimpim. Pelos perpétuos prazeres dos pés e pela preguiçosa papoila põe em pé a pauta da parcimónia. Por favor no quarto.
Quarto
Que quarto e quantos quartos? A quatro ou tantos quantos que mais sei que quantos mais que encantam no quarto cantam enquanto. Tiram a roupa.
Roupa
Rasgar. A roupa é para rasgar. Renitente ou reluzente rarefeita ou rezingona rastejante ou repugnante de riso e sorriso ou grito surdo. A roupa é para rasgar. Mas só se houver um sorriso.
Sorriso
Sai. Sem ti não sei estar. Sorriso e sem som. Sorrir assim sem sim sem mim sem mais sem ser saber e segredar e segregar e ser sorriso sendo sem ser satisfazer sabendo ser. Sorriso sem ter.
Ter
Ter ou não ter. Terá de ser o ter a terceira tez. Ter é mais que querer é ter sobretudo tendo dentro de tudo o que se tem tido é ter o nunca tido até então. Então é ter em tudo o que se pode ter é tentar mais do que ter é meter. Por que não no umbigo?
Umbigo
Um umbigo é um brilho de um eu uno. É sempre único. Um umbigo velado é um véu de céu sobre um seu umbigo. É por debaixo do véu.
Véu
Ver o véu venerando a vénus que veste as suas vestes veladas pelo verde do véu. É verde o véu de ver é dever ver o véu de ver verde visto e dispo a vénus. A beber whisky.
Whisky
Com música de Wagner no walkie-talkie e uma xícara de risos.
Xaile
Xerografado para esconder uma excitante xifopagia e deixar asfixiar o sexo deixado. E grego.
Ípsilon
Como o Yin sem yang, um corpo sem outro deseja sempre uma fusão na concavidade yoni.
Zás
Zeus está a zelar para que no zénite o regozijo seja zen.
Amar é animal e é normal mas não banal. Pode obviamente ser anal mas deixa de ser da alma para ser carnal. Que tal se tal apenas adquirir a formal e natural forma mamal de amar amando. Por sinal amar bem pode soar a boca.
Boca
Beber a boca deve ser bem bom. Balbuciriam bem umas quantas bocas sedentas de beber uma baba de boa boca alheia de sabor a bem bom. Bom. Bem o beijo das bocas bebe-se como se bebem as boas bocas brancas de frio ou brancas de neve. Bocas de beber com sabor a coxa.
Coxa
Com que recortes do corpo se conseguem comparar as coxas? Como se conseguem focar cem coxas a rodopiar nos olhos com a crença de conseguir captá-las para as conservar com conteúdo e com tudo, contudo com cabelinhos e com curvas bem roliças com carícias comprometidas. Consegue-se. Com sexo e desejo.
Desejo
De dar duas dedadas de dedos desejados desde há muito. Desejo de dar e seduzir para depois de dar ainda desejar possuir e de ter antes de dar e de dar depois de ter. Desejar dentes e dedos e dorso e delicados desejos segredados dentro de dias e de noites dentro de eros.
Eros
Era o deus do amor. E de deus do amor deixou o desejo em eros de errar de ser em ser, de em em em e sem deixar de ser eros errando se é bem essa a certa maneira de ser eros errando mas sem errar e sem ser amor indesejado na forma.
Forma
Força a forma a ser formal consigo mesma por força da farsa feita fugazmente de forma fática fazendo fé de formar e não deformar. Forma fatídica e não fodítica que faz força e fugazmente força a sua forma a fugir à força que deforma. Mas quanta força faz com que a forma se deforme por força da deformação que a força impõe à forma? Faz de conta que forma se forma a gosto.
Gosto
Gasto o gosto de gostar só por gosto gustativo. Fica agora o gesto gesticulante gesto emergente de grandioso e galante gestação do grande gosto da ilusão. Grande garganta e grande gaita galante gesto de gigante gesto. É uma questão de horta.
Horto
Hora de horto de incêndio. Hirta e ardente hoje e doravante por haver. Há sim haveres que são afazeres. Há sim deveres à hora da incendiar o horto. E há a íris.
Íris
Imitando o olho a íris ri. Sim ri. Assim a íris ri de si e de mim. Ri assim por saber rir de si e para si. É assim tão tão em si que só de si e para si sabe assim rir de mim. De tanto rir faz jorrar.
Jorrar
Já. Já e hoje com queijo sobre os joelhos. Jorrar queijo de desejo é já mais que jamais seja jurado por um solfejo e julgado por um simples beijo. Já por detrás da capa.
Kapa
Não sei se Kierkegaard ou Kant seriam sexy de kilt para uma mulher sem língua, no mínimo kitsch.
Língua
Ler lentamente o leite da língua. Ler o leite lentamente latente reluzente e luzidio. Ler a língua a lamber o líquido lilás de um olhar. A língua de lã é calor de fel. A língua de licor é lambida lentamente pela mão.
Mão
Mais do que com a mão é mesmo a mão que mente mais do que menos mesmo se se mete mais ou menos na melhor mama. Menos do mesmo e mais ou mesmo se a mão mimar mesmo o mel de mãoziar a mesma nudez.
Nudez
Nada de nus. Tudo nem vestido nem despido nem nada. Nada de nada e data de nata ou nada de nata e data de nada não diz ser amada nem nada mas nega a ninhada inata no hino e no imo do nó. Que também é conhecido por olho.
Olho
Olhar o olho nos olhos e olhá-lo ostensivamente no branco do olho até que o olho se feche de olhar. Olha que não olho se não olhar mais ou melhor do que olhar o outro olho de cor. Ocre de cor e odor a amor é o olhar de sonhar com amor de bocejar. De tanto estar de pé.
Pé
Pé e polegar para quem percebe são poucos mas pertinente pós de perlimpimpim. Pelos perpétuos prazeres dos pés e pela preguiçosa papoila põe em pé a pauta da parcimónia. Por favor no quarto.
Quarto
Que quarto e quantos quartos? A quatro ou tantos quantos que mais sei que quantos mais que encantam no quarto cantam enquanto. Tiram a roupa.
Roupa
Rasgar. A roupa é para rasgar. Renitente ou reluzente rarefeita ou rezingona rastejante ou repugnante de riso e sorriso ou grito surdo. A roupa é para rasgar. Mas só se houver um sorriso.
Sorriso
Sai. Sem ti não sei estar. Sorriso e sem som. Sorrir assim sem sim sem mim sem mais sem ser saber e segredar e segregar e ser sorriso sendo sem ser satisfazer sabendo ser. Sorriso sem ter.
Ter
Ter ou não ter. Terá de ser o ter a terceira tez. Ter é mais que querer é ter sobretudo tendo dentro de tudo o que se tem tido é ter o nunca tido até então. Então é ter em tudo o que se pode ter é tentar mais do que ter é meter. Por que não no umbigo?
Umbigo
Um umbigo é um brilho de um eu uno. É sempre único. Um umbigo velado é um véu de céu sobre um seu umbigo. É por debaixo do véu.
Véu
Ver o véu venerando a vénus que veste as suas vestes veladas pelo verde do véu. É verde o véu de ver é dever ver o véu de ver verde visto e dispo a vénus. A beber whisky.
Whisky
Com música de Wagner no walkie-talkie e uma xícara de risos.
Xaile
Xerografado para esconder uma excitante xifopagia e deixar asfixiar o sexo deixado. E grego.
Ípsilon
Como o Yin sem yang, um corpo sem outro deseja sempre uma fusão na concavidade yoni.
Zás
Zeus está a zelar para que no zénite o regozijo seja zen.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
nunca tinha visto nada assim
quando os esgueires se esconderam dos olhares ocultos por detrás das sombras brancas
vieram de trás
lá de trás
por detrás da brancura da sombra que é o contraste das órbitas. das pupilas. de cada íris
trouxeram em correntes in-vistas pesados olhares
maus olhados
bons olhos mal olhados
olho-os a olharem para ti
vejo que olham para mim
bons olhos os vejam
numa linha de fuga constante
a sair do ponto da superfície do meu corpo que cruza à tangente a hipérbole do teu olhar
o dela e o vosso
clinamen:
são linhas transversais de olhares molhados pela água das lágrimas que sugam a seiva de uma língua nunca vista apenas provada
impressa
prova de cor nos olhos cegados de tanto in-ver. inverter. verter sem nunca ter. visto
vieram de trás
lá de trás
por detrás da brancura da sombra que é o contraste das órbitas. das pupilas. de cada íris
trouxeram em correntes in-vistas pesados olhares
maus olhados
bons olhos mal olhados
olho-os a olharem para ti
vejo que olham para mim
bons olhos os vejam
numa linha de fuga constante
a sair do ponto da superfície do meu corpo que cruza à tangente a hipérbole do teu olhar
o dela e o vosso
clinamen:
são linhas transversais de olhares molhados pela água das lágrimas que sugam a seiva de uma língua nunca vista apenas provada
impressa
prova de cor nos olhos cegados de tanto in-ver. inverter. verter sem nunca ter. visto
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
uma cobra
Fazer de conta fingir os teus braços erguidos para o céu para as minhas mãos num adivinhado aperto de desejo.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Mas onde está Portugal?
terça-feira, 17 de junho de 2008
SIMPLES NOTA
Debota a nota que derrota o teu peito aberto. rasgão na ferida que se abre e fecha. a única que nunca sara. serei também ferida, para te ver arder na dor da garganta que árida seca por um beijo. pela saliva do beijo mais do que pelos lábios que o engendram. bem.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Por ser Dia Mundial do Ambiente 4
Presidenciais americanas: Hillary Clinton vai anunciar o fim da sua campanha e o apoio a Barack Obama.. pois é. John McCain deveria fazer o mesmo (para saber mais: ir por aqui para a notícia do jornal).
Por Ser Dia Mundial do Ambiente 2
Notícia:
Descida de quase 14 dólares por barril de petróleo face a máximo histórico de 135,09 dólares
Preço do petróleo abaixo de 122 dólares... (clicar aqui para ler a notícia)
Descida de quase 14 dólares por barril de petróleo face a máximo histórico de 135,09 dólares
Preço do petróleo abaixo de 122 dólares... (clicar aqui para ler a notícia)
terça-feira, 3 de junho de 2008
E o contrário?
No jornal Público online pode ler-se:
Actor dirige revista: A revista Men's Health, do grupo Motor Press, vai passar a ser dirigida pelo actor, modelo, apresentador e ex-atleta de alta competição Pedro Lima, apesar de este não ter carteira de jornalista como é obrigatório, embora a administração tenha admitido que irá fazer um pedido nesse sentido.
E, pelo contrário, será que um jornalista convidado para director de um teatro, imagine-se, por exemplo, do Maria Matos, conseguiria obter um diploma equiparado ao do Conservatório ou da Escola Superior de Teatro e Cinema?
Estou só a perguntar...
Actor dirige revista: A revista Men's Health, do grupo Motor Press, vai passar a ser dirigida pelo actor, modelo, apresentador e ex-atleta de alta competição Pedro Lima, apesar de este não ter carteira de jornalista como é obrigatório, embora a administração tenha admitido que irá fazer um pedido nesse sentido.
E, pelo contrário, será que um jornalista convidado para director de um teatro, imagine-se, por exemplo, do Maria Matos, conseguiria obter um diploma equiparado ao do Conservatório ou da Escola Superior de Teatro e Cinema?
Estou só a perguntar...
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