domingo, 23 de novembro de 2008

à hora do jantar

ficámos presos. nós e o universo à nossa volta. quero dizer: a cozinha, a sala, os quartos, um deles com casa de banho, o terraço e ainda a garagem, já que a parcela do sótão nunca chegou a ser dividida – fraccionada entre os codóminos. ficámos ali, ela e eu; como duas tristes feras, selvagens em redoma, sem saberem mas por quererem. por tê-lo desejado, dentro da boca dele estávamos. e a boca dele, tão pequena, mimosa, redonda e encarnada, não era maior que um terço de palma da mão dela. mas ali cabíamos, ela e eu. ali cabíamos nós. era esse todo o nosso universo.

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